quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A título excepcional…ou talvez não

No âmbito desta pequena ideia que é a “Sextas-feiras com os amigos”, tenho recebido a um bom ritmo de inúmeros colegas de todos os quadrantes profissionais, pequenos textos/posts para partilhar.

Esta profícua malta, que tenho o prazer de conhecer, obrigou-me a repensar os moldes da respectiva publicação ds textos. Se inicialmente estava prevista uma actualização quinzenal, tentarei com que esta passe a ser semanal, a não ser que surjam atrasos na resposta.

Assim esta semana, mais concretamente amanhã, estará disponível para leitura um post do meu caro colega e amigo João Damas, Director de serviço a clientes da agência Addmore, dedicado ao tema das dificuldades de comunicação na área da Saúde. Espero que vos seja útil na compreensão desta complicada área.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Leituras para ajudar

Acabo de encomendar na Amazon o livro de Gerry McCusker, especialista australiano em Comunicação, intitulado Public Relations Disasters, Talespin: Inside Stories and Lessons Learned.

Trata-se de um livro sobre agências de comunicação, Consultores de Relações Públicas, spin doctors (tão em voga em Portugal nos dias que correm), os clientes e os media. O autor procurou analisar algumas inenarráveis práticas de Relações Públicas, através da apresentação de exemplos de projectos que não tiveram o final mais desejado. Aqui ficam algumas críticas:

‘For the younger communication executive, the book is a must’ - Brand Strategy
‘Absolutely fabulous’ - The Glaswegian
‘A fun, yes fun, book about PR disasters’ - BrandChannel
‘Sit back and let McCusker’s tales of woe and little grey commentary boxes teach you how to manage any bad day at PR central’ - The Times (London)

Promete ser uma leitura realmente pedagógica (até porque aprender também é errar) que tentarei partilhar neste espaço. Por falar em leituras, esta semana vou tentar estar presente na apresentação do novo livro do Dr. Martins Lampreia sobre Marketing e Gestão de Crise, dia 25 às 18h30 na FNAC do Chiado.

Uma figura que admiro por ter assinado o meu primeiro cheque de ordenado (na saudosa CNEP/Hill & Knowlton) e que sempre considerei estar à frente do seu tempo. Já defendia o lobbie quando muitos ainda nem sabiam o significado dessa palavra, promovia avenças em 1995 que ainda hoje poderiam ser consideradas elevadas e sempre demonstrou um lado humano forte na gestão dos seus Recursos Humanos. Vamos lá ver se consigo uma dedicatória para a colecção.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Genericamente falando

A ANF revelou este fim-de-semana que as farmácias portuguesas estão com dificuldades em comercializar mais medicamentos genéricos na medida em que já não têm mais espaço físico para os arrumar. Falta de espaço num mercado que começa a ficar demasiado carregado para um país com cerca de 10 milhões de habitantes (só a substância activa sinvastatita para o colesterol, é comercializada através de 319 medicamentos genéricos)? Sim mas não só.

Recentemente, Vasco Maria, Presidente do INFARMED, alertou para o excesso de medicamentos genéricos em algumas áreas específicas (as que mais implicam retorno imediato como o combate ao colesterol, doenças mentais, etc.) pedindo às diversas companhias maior diversificação do seu portefólio de produtos. Para as empresas nacionais mais pequenas, esta poderá ser a única opção de sobrevivência. Difícil pois as multinacionais com maior capacidade (e quase todas já estão representadas em Portugal) são mais céleres em solicitar a comercialização de marcas que perdem patente, ganhando quota de mercado sobre as outras.

E quais serão os desafios futuros para empresas a actuar nesta área? Claramente reforçar a sua imagem institucional (casos como a Generis, Farmoz são exemplos disso) promovendo uma diferenciação recordatória na mente dos seus targets. Reforçar a sua aproximação aos utentes, tomando o usual papel das empresas farmacêuticas que promovem investigação, como endorsers das associações de doentes. Promover informação credível junto dos médicos, salientando o seu papel de parceiros na área da Saúde – acentuar o duplo aspecto de empresas que comercializam tratamentos médicos mais acessíveis para bolsas menos recheadas (marketing social responsibility).

É claro que a confirmar-se os processos de bonificação usualmente praticados nas farmácias (por cada três caixas de medicamentos compradas ao laboratório segue uma de borla), estas também não têm grande margem de manobra para se queixarem da falta de espaço.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A paixão de comunicar

A convite do meu amigo Jorge cá estou eu a estrear-me nestas “andanças bloguistas”. Antes demais devo dizer que tive o prazer de conhecer o Jorge na Agência de Comunicação onde estagiei *, e trabalhei durante alguns meses, após terminar o curso de Ciências da Comunicação. Esclarecer ainda que foi a minha veia comunicativa que me levou a frequentar esta licenciatura, em detrimento de uma outra qualquer da área das ciências humanas. Acima de tudo porque gosto muito de conversar, de escrever, de me relacionar com o mundo e com os outros, e de fazer muitas coisas diferentes, mas quase todas no domínio das artes.

Posso assim dizer que a minha vinda de uma Agência de Comunicação para uma Biblioteca Municipal (onde trabalho há quase 10 anos) permitiu-me alargar o âmbito das minhas acções, mas não mudou o essencial da questão: a necessidade de comunicar e de nos comunicarmos! Aqui lido com instituições, escolas, professores e alunos, escritores e contadores de histórias, autarcas e munícipes. As solicitações são muitas e diferenciadas (até porque os utentes também o são, em género, idade e interesses…) desde aqueles a quem ajudamos numa pesquisa, passando por aqueles a quem contamos e com quem exploramos uma história, sem esquecer os que nos pedem uma sugestão de leitura. Sendo missão das Bibliotecas informar, promover a leitura e a auto-formação, facilitar o acesso às diferentes formas de expressão cultural e fomentar o diálogo inter-cultural entre outras missões, igualmente importantes, não me parece possível cumpri-las sem recorrer a estratégias de comunicação mais ou menos elaboradas, que podem passar pela simples conversa face-a-face (às vezes a mais eficaz forma de comunicação), por um ofício que enviamos, por um telefonema que fazemos, por um flyer ou cartaz que produzimos, por um press-release que divulgamos, por uma notícia ou fotografia que colocamos no nosso site. Nos primeiros anos em que aqui trabalhei, sentindo essa necessidade imperativa de comunicar o que íamos fazendo, a Biblioteca chegou a ter a sua publicação periódica - o “Biblioactividades”. E porque o que fazemos também é comunicação, ela passa pelas horas do conto, visitas guiadas, sessões de poesia, exposições bibliográficas e alguns placards informativos e pedagógicos que produzimos sobre determinada efeméride ou personagem.

Quando o Jorge me convidou para escrever este texto, a minha primeira ideia foi “mas eu já não trabalho em comunicação”…para logo depois sentir que, afinal, a verdade é que não trabalho noutra coisa! Porque toda a nossa actividade é uma permanente comunicação do que somos e do que achamos importante transmitir aos outros, seja numa Biblioteca, numa redacção de um jornal, numa empresa ou numa agência de comunicação. E quanto mais amamos o que fazemos, melhor comunicamos o objecto do nosso amor.

Ângela Malheiros
Coordenadora da Biblioteca Municipal de Peniche


PS - *Um beijo especial para o Fernando e para o João, que conheci na mesma agência, e que decerto serão leitores deste blogue ;)

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Mais uma visita para enriquecer

Na senda do que fiz há 15 dias, com a divulgação de um texto elaborado pelo meu amigo Fernando Rente, Communication Officer da Roche Farmacêutica, colocarei amanhã online um post escrito por outra amiga minha, Ângela Malheiros. O desafio que lancei aos meus ilustres amigos e colegas de profissão, foi o de escrever sobre comunicação, de acordo com as suas perspectivas pessoais e profissionais, e assim ter o mais variado leque de opiniões, formas de estar e pensar, acentuando a riqueza que reside na diversidade.

Com o texto do Fernando e agora o da Ângela, Coordenadora da Biblioteca Municipal de Peniche, acho que estes objectivos estão a ser “estimulantemente” cumpridos. Um agradecimento especial a quem já aceito o repto e espero que continuem a apreciar as leituras tanto como eu.

Olhar o futuro

No passado dia 15 de Outubro, o CEO da sanofi-aventis, Gerard Le Fur, deu uma interessante entrevista ao Financial Times. Na conversa com o jornalista, o responsável máximo da multinacional farmacêutica (a primeira companhia na Europa e a terceira a nível mundial) refere que estas empresas, mais tarde ou mais cedo, terão que criar mecanismos para limitar o aumento dos preços dos medicamentos para que as vendas também subam.

Uma contradição? Nem tanto. Le Fur considera que a médio prazo o volume de vendas irá sobrepor-se ao impacto do preço. Medicamentos mais baratos vendem mais, diminuem o fosso que os separa dos genéricos e aumentam a possibilidade de serem logo comparticipados por Sistemas Nacionais de Saúde (SNS) já bastante endividados (como é o caso de Portugal).
A indústria farmacêutica necessita de trabalhar em parceria com os poderes políticos para que os utentes possam aceder aos novos tratamentos que fazem realmente a diferença. E, para tal, ambas as partes tem que ceder.

Vejamos o caso das vacinas contra o cancro do colo do útero. Pela primeira vez na história da medicina, é lançada uma vacina que a longo prazo irá erradicar um dos cancros mais mortais para as mulheres. E que faz o nosso Governo enquanto o resto do mundo preocupa-se em colocar o produto em Planos Nacionais de Vacinação e encontrar formas diferenciadas de comparticipação? Anda um ano desde a chegada da primeira vacina a solicitar mais estudos médico-científicos, arrastando uma decisão até à chegada da segunda vacina (esta semana) e assim garantir nova posição negocial, desta vez com dois laboratórios e não com apenas um (o que facilita cedências).

E porquê? Porque estamos no limite orçamental e vacinas que custam entre cerca de 433 e 500 Euros não ajudam. Mesmo que a bandeira propagandista seja bem apelativa (exemplo de parangona comunicacional – José Sócrates anuncia – Governo Português vai comparticipar a vacina para o cancro do colo do útero) o que é certo é que os SNS estão a caminho da ruptura tornando mais difícil o acesso a terapêuticas cada vez mais inovadoras. É justo? Não. Mas é o que continuaremos a ter se os posicionamentos dos todos os intervenientes nesta área não se alterar. E, pelos vistos, alguns como Gerard Le Fur, já começam a percepcionar novas linhas de actuação. Perspectivando sucessos comerciais mas também promovendo o acesso mais alargado a tratamentos que realmente melhoram a qualidade de vida.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Conferência online para a rapaziada de comunicação

Parece que está a ser organizada, algures em 2008, a Global PR Blog Week 3.0., uma iniciativa virtual destinada a todos os profissionais de Relações Públicas que queiram saber mais sobre esta estimulante área de trabalho.

De acordo com o descritivo preliminar, os organizadores pretendem desenvolver um evento no qual serão apresentados os melhores artigos, entrevistas, debates, case studies e ensaios sobre as principais alterações/evoluções na teoria e prática das Relações Públicas e Comunicação, a sua relação com outras disciplinas e o nosso papel enquanto profissionais, alunos e professores.
Esta iniciativa irá durar uma semana, em regime online e o seu acesso será feito de forma gratuito. Para mais informação poderão consultar o site (www.globalprblogweek.com).

São as tecnologias disponíveis a funcionar de forma democrática e global: novos instrumentos de comunicação que permitem o acesso de todos a novas formas de pensar comunicação. Venha o café da máquina, o croquete do restaurante e cá fico, pronto para mais uma sessão de debate sem sair do meu lugar.