quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Uma questão de confiança

A relação do técnico de comunicação, account, consultor (e outras nomenclaturas que proliferam nas agências de comunicação e RP) com o seu cliente, é algo imaterial que permanece em constante escrutínio superior, avaliada em função dos sucessos, resultados obtidos, rapidez da resposta mas, e muito importante, da empatia criada entre ambas as partes.

Sobre este tema, gostaria de recomendar “The Trusted Advisor”, um interessante livro que estou agora a terminar da autoria de Tom Peters, David Maister, Charles Gren e Robert Galford. Trata-se de um detalhado guia, indicado para todos aqueles que fazem da Consultoria o seu trabalho, que procura descodificar os conceitos de confiança e respeito entre clientes e consultores.

Segundo os autores, as relações profissionais bem sucedidas (em tradução livre):

- Crescem com o tempo e não aparecem espontaneamente
- Têm tanto de racional como de emocional
- São relacionamentos de duas vias
- Ambas as partes conhecem de todas as esferas de actuação e o papel de cada um
- É diferente para o cliente do que é para o consultor
- Acaba por se tornar pessoal

Para que as relações evoluam:

- O consultor deverá ter a primeira palavra sobre questões relacionadas com a sua área de intervenção
- É importante ilustrar de forma clara os problemas
- É importante ouvir e estar com atenção ao que é diferente e não ao que é familiar
- É importante verificar que as dicas e as suas razões são bem entendidos
- É importante ganhar o direito para explanar as nossas ideias
- É importante continuar a perguntar
- É importante explicar de forma clara o que se pretende
- É importante pedir ajuda quando precisamos
- É importante mostrar interesse no nosso interlocutor
- Podemos usar elogios mas não bajulação
- Quando as coisas correm bem, é importante reconhecer o trabalho de todos os envolvidos

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Haja bom senso

Reparo na notícia de hoje na edição online da Meios & Publicidade sobre o facto da Serra Pinto Health Solutions ter operado alterações na sua estrutura editorial e comercial. Fico contente por saber que o grupo já não se intitula Serra Pinto Media Health Solutions (repararam na estranha semelhança? Eles no início não…) como há 3 meses. Este facto provocou alguns curiosos telefonemas de parceiros e potenciais parceiros, querendo saber mais sobre esta “nova MediaHealth” (uma marca registada como o r à frente da palavra devidamente atesta) que lhes estava a propor um conjunto de novos projectos comerciais. O processo passou para a esfera jurídica mas, pelos vistos, no grupo do Pedro Serra Pinto, o bom senso imperou.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Boas impressões

Na sequência de um projecto de sensibilização pública que estamos a desenvolver na agência, tive o prazer de me reunir com Maria do Céu Machado, Alta Comissária da Saúde. Prazer porque não conhecia pessoalmente a pediatra agora responsável por este importante cargo que, com simpatia, facilitou a conversa e a exposição da iniciativa.

Directa, objectiva, pratica e preocupada com os aspectos preventivos da Saúde em Portugal, logo se disponibilizou a agilizar processos e avançar com um protocolo de referência. Gostei. Para além do mais confidenciou-nos que desde o início do ano já tinha contabilizado cerca de 46 viagens de avião. Um verdadeiro corrupio constante para quem mantém aquela energia.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Merck e Vioxx: uma já passou

O Supremo Tribunal de New indeferiu ontem um processo global contra a Merck Company, no âmbito da retirada do mercado do anti-inflamatório Vioxx. Trata-se de uma grande vitória legal para a companhia que mesmo assim ainda tem por resolver outros 27,000 processos individuais de doentes que referem que o Vioxx, utilizado para o tratamento de artrites, poderá ter causado um grande número de ataques cardíacos.

Caso a Merck tivesse perdido este processo, poderia ter de pagar uma indemnização na ordem dos 18 biliões de dólares. Como nota de referência, os lucros da companhia em 2006 cifraram-se em 22.6 biliões de dólares. Seria pois um rombo de difícil digestão. Na sequência desta vitória, as acções da companhia subiram para os 50.47 dólares.

Ao ler a notícia, relembro duas coisas: a forma brilhante como o meu estimado colega Miguel Vieira, Director de Comunicação da Merck geriu a grave crise comunicacional na altura que tudo começou. E como é frágil a linha que separa a descoberta de um milagre (um medicamento que definitivamente faz a diferença e muda a vida dos doentes) e um desastre (um tratamento que afinal tem mais efeitos adversos e negativos que positivos).

Pela nossa Saúde

Ainda este ano, os médicos dos Hospitais da Universidade de Coimbra ficaram impossibilitados, por um período de dois meses, de efectuar biopsias. Para não ultrapassar o budget inicialmente definido pelo Ministério das Saúde, nem as agulhas puderam adquirir e assim tiveram que protelar um conjunto de operações para mais tarde.

No combate défice versus homem, quem vai ganhar o combate? Para já, parece o primeiro já leva uns pontos de avanço.

Outras realidades

A Associação Britânica da Indústria Farmacêutica (ABPI - http://www.abpi.org.uk/), numa decisão inédita no seu historial, acaba de aceitar como membro oficial, uma agência de meios exclusivamente dedicada à área da Saúde (Bartlett Davis Communication).

Segundo os especialistas locais, esta medida poderá indiciar uma disponibilidade da ABPI em acolher como membros empresas de outras esferas como agências de comunicação e RP dedicadas à área da Saúde (para alguns este possibilidade é vista como forma de estreitar a sua vigilância legislativa perante os excessos comunicacionais de alguns dos seus actuais membros, principalmente no que concerne campanhas direct-to-consumer e promoção de medicamentos sujeitos a prescrição médica obrigatória).

Como a MediaHealth Portugal não é nem será tão cedo membro da APECOM (what’s the gain?) APIFARMA, aqui vamos nós?...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Na luta contra a obesidade

Li recentemente que a Galp Energia acaba de assinar um protocolo com Ministério da Saúde para execução da Plataforma Nacional contra a Obesidade, uma iniciativa de interesse público, direccionada a toda a população portuguesa.

Este acordo foi assinado pelo Ministro da Saúde, António Correia de Campos, e pelo presidente do Conselho de Administração da Galp Energia, Francisco Murteira Nabo.
A Plataforma Nacional contra a Obesidade visa o reforço da actual intervenção do Estado na área da Saúde, nesta área específica. Neste contexto, a Galp Energia disponibilizará as suas áreas de serviço e postos de abastecimento para a colocação de outdoors e mensagens na facturação emitida por sociedades que pertencem ao mundo Galp. Parece-me bem.

Passo a descrever uma loja da gasolineira à qual recorro usualmente (Av. de Pádua em Lisboa): logo ao entrar, dou de caras com todo o tipo de bombons, chocolates e afins. Enquanto me encaminho para o balcão encontro no meu lado esquerdo prateleiras repletas de Mars, Kinders Surpresa, coloridas gomas, M&Ms, chupa-chupas, KitKats, entre outros. Ao meu lado direito, as prateleiras apresentam pacotes de Cheetos e batatas fritas de vários sabores, feitios e tamanhos. No balcão central, displays das pastilhas elásticas com açúcar, sem açúcar, canela, menta, baunilha e maçã adornam o local. Trata-se de um bombardeamento visual calórico que resisto sem sacrifício. Duvido é que uma criança que vá acompanhar o respectivo pai faça o mesmo e não saia dali sem uma boa dose de calorias no sangue.

Acredito que a obesidade não é uma situação que seja apenas resolvido com outdoors ou slogans minimamente inspirados. Trata-se de um sério problema nacional (que afecta mais de 50 por cento da população total portuguesa e 24 por cento das crianças em idade escolar) e mundial que merece medidas de fundo que contribuam para reais mudanças de hábitos.

Não contesto o valor meritório da campanha “Energia positiva contra a obesidade” mas, como está neste momento definida, sabe realmente a pouco…